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Cerca de 10% do eleitorado no exterior reside no Japão. No mundo todo, são quase 700 mil eleitores Com base nos dados divulgados pelo TSE no início de julho, eleitorado no exterior representa 0,43% do total de eleitores que escolherão o próximo Presidente da República em 2 de outubro. Com vigor o brasileiro emigrado revela engajamento e reivindica participação e representatividade política

O eleitor no exterior está distribuído em mais de 90 países e 183 cidades. O primeiro turno será em 2 de outubro e o eventual segundo turno, dia 30 do mesmo mês. De acordo com a Constituição Federal, quem reside no exterior pode votar apenas para Presidente e Vice-Presidente. O voto é facultativo para os jovens entre 16 e 17 anos, para os analfabetos e para os que tem mais de 70 anos. A votação ocorrerá das 8h às 17h, conforme o fuso horário do local de residência.

Informações para o eleitor no exterior: https://www.tse.jus.br/eleitor/eleitor-noexterior/votacao-no-exterior

Estão aptos a votar no exterior 697.078 brasileiros. Um aumento de cerca de 39% do eleitorado registrado no mesmo período em 2018, última vez em que os brasileiros residentes no exterior compareceram às urnas. Esse contingente supera o eleitorado de três estados da federação.

Lisboa tem o maior número de eleitores no exterior Mais de 27% do eleitorado concentra-se em cinco jurisdições consulares. Os Estados Unidos, país com mais da metade dos 4,2 milhões de brasileiros expatriados, centralizam em Miami, 40.189 eleitores e Boston, 37.159. Na Europa, a concentração divide-se em Lisboa (45.273) e em Londres (34.498). Já a jurisdição consular de Nagoia, no Japão, registrou até o dia 4 de maio, último dia para regularização e transferência do título eleitoral, 35.651 eleitores.

Proporcionalmente, o colégio eleitoral de Nagoia, onde residem cerca de 122.000 brasileiros tem 35.651 eleitores, revelando uma vontade cívica maior do que em outras jurisdições. A título de comparação, Nova York, onde residem mais de 450.000 cidadãos com passaporte verde amarelo, tem unicamente 27.937 eleitores. Ainda assim, a maior concentração de eleitores, em comparação ao número absoluto de residentes por jurisdição, encontra-se em Lisboa, Portugal.

Perfil do Eleitor no Japão Estão registrados no Japão 76.570 eleitores, aproximadamente 25% a mais do cadastro eleitoral de 2018, último pleito em que os brasileiros residentes no exterior votaram. Com a expansão do eleitorado nos últimos 4 anos, proporcionalmente ao número de residentes brasileiros por país, a comunidade verde amarela no arquipélago é a que mais demonstrou entusiasmo em participar do pleito de 2022.

Além do significativo aumento do eleitorado, nos dois últimos pleitos, o perfil se tornou mais heterogêneo. Jovens brasileiros que nasceram no Japão, ou, foram alfabetizados no arquipélago e praticamente não falam português devido ao distanciamento, pouco conhece a realidade brasileira e se identifica mais com o Japão do que com o Brasil. Por esse motivo, tem dificuldade de entender a importância, a contribuição em ajudar a eleger um novo mandatário.

A obrigatoriedade do voto é um tema complexo, mas merece ser analisado e entendido. O Brasil é uma jovem democracia e no atual estágio, a compulsoriedade incentiva uma consciência cívica e estimula o exercício de cidadania, mesmo residindo no exterior.

Em um futuro não muito longe, com o amadurecimento e consolidação da democracia, a participação poderá ser facultativa. De acordo com o anuário da CIA (Central Intelligence Agency), The World FactBook, somente em 21 países no mundo, dez deles na América Latina, o voto é compulsório.

A proporção por gênero em 2022 permaneceu quase a mesma de 2018, com preponderância para os homens. Neste ano, 54% (41.395 eleitores) são homens e o eleitorado feminino que era de 27.175 eleitoras em 2018, aumentou para 35.175. Nos últimos quatros anos o eleitorado no Japão cresceu e atualmente corresponde a mais de 35% do total de residentes no país.

No quesito idade, o número de eleitores que ainda não completaram a maioridade, saltou de 37 para 67. O eleitorado acima de 70 anos também cresceu, de 870 para 2.587 eleitores. Vale lembrar que o voto é facultativo para menores de 18 anos e pessoas com mais de 70 anos. Os dados expressam um desejo de participar e exercer sua cidadania.

Com relação ao grau de instrução, 27.639 eleitores, 36% do total, declararam ser analfabeto, sabem somente ler e escrever, ou não concluíram o ensino fundamental, ou médio. Os dados apontam também que dos quase 8.000 eleitores que são analfabetos ou somente leem ou escrevem, cerca de 68%, são homens.

Não se conhece um perfil detalhado dos brasileiros no Japão (211 mil) e os dados acima (76.560 eleitores), não refletem a totalidade, mas é uma amostra significativa e que pela primeira vez, permite conhecer melhor a situação educacional. Os números também expõem uma fragilidade e desmentem a narrativa de que o emigrado é preponderantemente de pessoas com nível superior.

Sem formação básica ao menos, o expatriado continuará tendo dificuldades em se capacitar, crescer profissionalmente e continuará sendo, em sua grande maioria, mão de obra descartável.

É fato que muitos brasileiros saíram do Brasil em busca de melhores condições de vida, mas sua brasilidade, sentimento de simpatia e amor pelo país, persiste.

Miguel Kamiunten vota no exterior desde 1998, pesquisa a participação nas eleições, coordena o Polo Japão da Universidade Católica de Brasília e membro fundador do Movimento Brasileiros Emigrados (MBE), colegiado que busca maior representatividade do brasileiro residente no exterior.

Fontes:
Portal consular - https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/arquivos/Comunidad...
Tribunal Superior Eleitoral: https://www.tse.jus.br/
Anuário da CIA The World-factbook: https://www.cia.gov/the-world-factbook/about/cover-gallery/2017-cover/